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sábado, 8 de janeiro de 2011

CONTOS ERÓTICOS DA MIRITA


Imagem: Casal sensual, desenho de Romeu Zanchett.

EITA, ELE ME PEGOU!


Mirita Nandi


No Jardim do Éden do meu regaço, subitamente ele irrompe com sua concupiscência perversa num beijo suplicante obliterando minha nuca.

Arrepiada, negligenciei da fortaleza à sua luxúria. E vi-lhe invadir dissoluto todas as minhas saliências pudendas com o poder irrefreável do seu Talo de Coral.

Ele cerrou os dentes com o seu Pilar do Dragão Celestial em conexão femural e deliberadamente volveu-me as ancas, apalpou-me os seios, mordeu meu dorso e com seu bafo etílico de São Jerônimo me levou para a experiência da serpente.

Era a guerra: a necessidade do intercurso para a paz no mundo em ebulição.

Estremeci diante do seu Cogumelo Intumescente e fraquejei no meu Lótus Dourado como quem apanha sabonete no assoalho do banheiro.

Eita, ele me pegou.

Rendida, não tinha a quem recorrer por proteção. Dominada, a priori contra a minha vontade, fui sua lúbrica serva de Afrodite. E me subjugou com suas rédeas qual concubina deslavada e sem reputação. Fui sua descarada Madame de Pompadour, fui acrobata passional para que ele colocasse sua chave quente na minha úmida gruta privada, até invadir toda minha Porta do Cinábrio.

Ele me sacudiu e relei a cara no chão.

Fui espremida contra a parede, violentada deliciosamente.

Era eu sua caça, o seu suprimento inexaurível, a sua propriedade mais possessiva e possuída.

Fui domada, desnuda e sodomizada pela incontinência lasciva da sua Haste de Jade.

Fui sem-vergonha vil abominada qual rameira tenaz que leva o cuspe na cara pela exigência da felação.

Fui beata fiel pronta pro sacrifício diante do seu Pico Vigoroso que me deu lapadas nas costas, vergasta de comprada a preço vil na feira, obrigada à sodomia e a transgredir meus limites para que me penitenciasse aos quatros cantos de sua licenciosidade.

E ele virou deus no meu Terraço da Jóia e rodopiou no Saguão do Exame e se lambuzou na Fenda Dourada e se masturbou com seu Pássaro Vermelho assanhado nas minhas faces e pele para a saliva da minha boca que enchia a língua de gula e seu hálito de vida na arte da Câmara de Dormir.

Perdi a guerra no centro de todas as suas tocaias e armadilhas intemperantes.

Fui corrompida e ultrajada.

Virei estatueta de Vênus viva por todos os furacões de sua fúria à prova de água e de fogo na minha virtude fácil de dançarina pisoteada e derrotada.

Inclemente ele recolheu todos os frutos do meu pomar, serviu-se de todas as plantações, rompeu o escore de todas as volúpias pecaminosas do meu corpo dessacralizado.

Vencida, ordenhou seu rebanho em mim e fui seu solo fértil para repor suas forças na hora dos Cavalos Selvagens Cabriolando.

Era a sua Lei de Talião e cedi como quem se dá aos favores de esposa resignada, de amante fiel, de meretriz sem véus ou escolha, vítima das suas cinqüenta mil varadas e seu sêmen lavou-me desonrada.

Ficou dependente do nosso firme enlaçamento e o meu sangue a sua vida.

Reclusa aos seus caprichos, eu fui insultada pelo déspota amante que me sacrificou indecorosamente extravagante como o deus Líber com seu fascinum de espírito mágico a me vergar na posição primata costumeira.

Ele todo Casanova, vitorioso por meus regatos suados e me subjugando na vindima de sua priápica exacerbação.

E fui supliciada no seu tronco, morri e tive a ressurreição parindo todos os meus demônios e nos tornamos uma só carne ardendo no mútuo consentimento dos nossos desejos.

Depois de vitorioso, ele rei lânguido saciado, fui rejeitada. Na repulsa, a lição.

Agora ele ia pra vida enfrentar suas novas batalhas e inimigos. E eu fiquei com a certeza que para ele vencer, terá de usufruir da minha carne, minhas forças, minha vida. E eu sou dele a panacéia que ele quiser no nosso Kama Sutra.


Veja mais no Crônica de amor por ela.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

CONTOS ERÓTICOS DA MIRITA


Imagem: arte de Derinha Rocha.

O GINÓFAGO PRIÁPICO




Mirita Nandi


A sua voz nasce no meu apetite de mulher. O seu riso brilha de dentro e ilumina a minha vida como um sol sem crepúsculo. Os seus versos revolvem minhas entranhas e me embalam por canções inesquecíveis. E tudo dele me envolve de forma tal, de me possuir inteira e totalmente, a me deixar enlouquecida e desenfreada, sedenta e apaixonada. E ele vem de um jeito de tocar meu coração acendendo toda capacidade de amor que existe em mim. E toca sutilmente meus seios com todas as formas de carícias. E me lambe a pele para incendiar todas as formas de desejos. E me alisa as pernas e coxas para arrepiar meu ventre minando de querer. E me toca fundo na flor da vida para que minha alma cresça e seja plena e completa. E me atiça a nuca com seus sussurros safados a me tirar os sentidos. E me castiga o dorso com lapadas de beijos que alvoroçam minha carne e me alcança inteira. E me causam prazer e dor ao me render de quatro com a penetração viril de me endoidecer. E me desgraça a vida de não mais saber quem sou. E me rouba a identidade de me tornar desmemoriada e feliz. E me reduz a nada, cuspida e ultrajada como se eu mais nada fosse. E me faz santa pecadora pronta para adorar-lhe pro resto dos meus dias. E me ajoelha vestal vencida na força da sua posse para rezar todas as orações de vitória. E o seu falo se sacraliza e me profana felatriz gulosa e esfomeada, insaciavelmente babando todas as águas dele e de mim. E o seu desejo me faz puta irreversível para que eu seja dominada e servil. E o seu prazer me faz amante a desfrutar de todas as delícias mais apetitosas. E o sêmen me nutre e me lava toda, para que eu seja banhada por todas as graças possíveis. E por isso vivo nua e totalmente sua. Não sou eu, sou dele.



CONVITE from LUIZ ALBERTO MACHADO on Vimeo.




Veja mais Crônica de amor por ela.